O Encontro das Águas



O Encontro das Águas 

Ricardo Barros Sayeg 

Estou lendo o fantástico O Sentido das Águas, de Dráusio Varella, da Companhia das Letras e ele me fez relembrar uma visita que fiz ao Amazonas há alguns anos atrás. Naquela oportunidade, me hospedei em Manaus e pude conhecer um pouco da floresta, algumas populações ribeirinhas e indígenas.

Quando entrei na floresta através do rio, tive a sensação que estava voltando ao ventre da minha mãe. O barulho tão comum nas grandes cidades, quase inexiste no interior da floresta. As árvores brotam dos rios e atingem tais alturas que encobrem a visão do céu. A vitória régia é um espetáculo à parte. São plantas enormes geralmente com flores lindas no centro. Algumas chegam a ser tão grandes que suportam um homem em pé sem afundar.

O que mais me chamou atenção, no entanto, foi o encontro das águas dos rios Negro e Solimões.

Os fatores para isso ocorrer na região variam desde questões geológicas, climáticas, termais ou até mesmo o tamanho ou a acidez dos rios.

É impressionante como as águas realmente não se misturam e possuem cores completamente diferentes.

A Amazônia realmente é um outro mundo. Os indígenas vendem seu rico artesanato no centro de Manaus. Por lá comprei dois braceletes que usava até recentemente, colares para minha mãe e alguns objetos que representavam animais locais.

Conheci também a brilhante arquitetura do teatro Amazonas e fiquei encantado com os detalhes dos móveis e dos detalhes da construção interna daquele prédio do início do século XX, época do auge do ciclo da borracha no Brasil.

Tentei viajar para Belém, de barco. Pensei que a viagem seria curta. Que nada! Seriam quase quatro dias e eu teria de dormir numa rede. Não teria tempo nem saúde para isso. Acabei voltando para São Paulo, depois de dez dias inesquecíveis. Mas, aquele foi um passeio incrível. Tal como os muçulmanos têm de ir para Meca pelo menos uma vez na vida, quem se diz brasileiro deve ir para a Amazônia também.

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